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Capítulo 1 de 22

Dia 1: O Verbo Eterno e a conexão com a Criação

Seja muito bem-vindo ao primeiro dia desta Jornada! É muito bom ter você aqui.

Se você nunca abriu a Bíblia antes, ou se ela sempre pareceu um livro empoeirado e distante, acredite: você está no lugar certo. Estamos juntos nessa, e eu prometo que vai ser uma aventura que vai mudar DRASTICAMENTE a sua forma de enxergar as Escrituras e sua relação com Deus.

Nosso ponto de partida para desbravar este livro extraordinário vai ser nada mais nada menos que o Evangelho de João.

Ué? João?! Mas a Bíblia não começa em Gênesis?

Sim, começa. Mas o primeiro “segredo” para uma primeira leitura transformadora da Bíblia é justamente NÃO começar pelo começo. Confie no processo que foi estruturado aqui e se prepare — a Jornada começa agora.

João: O Pescador que Virou Amigo Íntimo de Jesus

Quem era João? Bom, ele não era um desses “santos de vitral” que a gente vê em igreja antiga, com auréola dourada e olhar sereno… Longe disso.

João era pescador. Um sujeito com cheiro de peixe, mãos grossas de puxar redes e um temperamento tão explosivo que Jesus deu a ele e seu irmão o apelido de “Filhos do Trovão”. Sim, esse era o João — um cara intenso, impulsivo, cheio de paixão.

Mas esse humilde pescador da Galileia teve o privilégio de se tornar mais do que apenas um seguidor de Jesus. Ele se tornou o melhor amigo do Mestre. O discípulo que recostava a cabeça no peito de Jesus durante o jantar. Se alguém poderia nos contar quem realmente era Jesus, esse alguém era João.

E logo na primeira linha de seu livro, ele solta uma bomba:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. — João 1:1

Isso não é como um amigo fala de outro amigo. João está fazendo uma declaração cósmica: Jesus não é apenas um bom homem, um profeta, ou um líder inspirador. Jesus é o Verbo de Deus — Aquele que expressa o próprio Deus com precisão absoluta. E mais: Ele já existia antes de tudo. Antes do universo. Antes do tempo.

Aquele que criou as estrelas decidiu se tornar um de nós.

Por Que Começar por João?

A Bíblia contém 4 evangelhos — 4 biografias de Jesus. Mas o Evangelho de João é diferente de todos. Mateus, Marcos e Lucas contam o que Jesus fez. João quer te mostrar quem Jesus é.

João escreveu para que cada pessoa que lê este livro chegue a duas conclusões que mudam tudo:

  1. Jesus é o Cristo — o Messias prometido, Aquele que toda a história da humanidade esperava.
  2. Jesus é o Filho de Deus — para um judeu como João, dizer isso significava uma coisa só: “Este é Deus.” Deus caminhando na nossa realidade, em carne e osso.

Não um sábio, como tantos outros.
Não um mestre, como tantos outros.
Não um revolucionário, como tantos outros.

Mas Deus.

Ao longo dos próximos dias, ao lermos João, deixe-se mergulhar nessa história. Não se preocupe em entender tudo de uma vez. Apenas permita que as palavras de João — o melhor amigo de Jesus — comecem a desvendar quem é este Homem que dividiu a história em antes e depois.

Você está no limiar de uma das maiores descobertas da sua vida. A Jornada começa agora.

Explicação

O Verbo Feito Carne (1:1–18)

Meus amigos, estamos diante de um dos textos mais ricos de todo o novo testamento…ou melhor, esse prólogo de João é um dos textos mais densos e poderosos de toda a Bíblia! (sem exagero)

Em apenas 18 versículos, João comprime a identidade de Jesus, a história da criação, a tragédia da rejeição humana e a glória da redenção. Tudo numa única rajada.

“No princípio era o Verbo.” A palavra grega aqui é Logos — e para os leitores originais de João, essa palavra carregava um peso absurdo. Para os gregos, Logos era o princípio racional que sustentava o universo, a razão por trás de tudo. Para os judeus, a Palavra de Deus era o instrumento da criação: “Disse Deus: haja luz.” João pega essas duas tradições e joga uma bomba: o Logos não é um conceito, não é uma força. É uma Pessoa. E essa Pessoa é Jesus.

O que salta aos olhos aqui é a ousadia de João. Ele podia ter começado com a genealogia de Jesus, como Mateus fez. Podia ter começado com o nascimento, como Lucas…mas não.

João começa antes do tempo. “No princípio” — as mesmas palavras de Gênesis 1:1. João está dizendo: “Quer entender Jesus? Então volta até antes de existir qualquer coisa. Ele já estava lá.”

E aqui temos uma verdade que não cabe na nossa cabeça: Deus, que é infinito, se torna finito. O Criador se torna criatura. O Deus que não cabe na imaginação humano se torna um ser humano que tem com fome, sede, vai ao banheiro, se sente cansado…

João não está dizendo que Jesus era um fantasma ou que apenas parecia humano. Ele diz: “se fez carne”. É real. É radical. É o tipo de coisa que um grego acharia absurdo e um judeu acharia blasfemo.

João está sendo simplesmente genial nesta apresentação!

Repare como João conecta lei e graça no versículo 17: “A lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.” A lei foi dada, mas a graça e a verdade não foram apenas dadas, elas vieram — em pessoa. A diferença é entre receber uma carta e receber a visita de quem escreveu.

João está dizendo nesta introdução: você já ouviu falar dessa pessoa? Pense novamente. Ele é muito além do que você está pensando…não dá sequer para entender a grandeza desta pessoa que irei falar daqui em diante.

E você, já conhecia Jesus desta forma?

O Testemunho de João Batista (1:19–28)

Agora a cena muda. Saímos da dimensão eterna, do grandioso e infinito…e pousamos literalmente num deserto em Israel, à beira de um rio.

Um homem totalmente excêntrico entra em cena. Um profeta com roupas de camelo e comendo gafanhotos e mel. É o tipo de coisa que só acontece na Bíblia rsrs…

Imagine que um sujeito de repente apareça no deserto clamando em alta voz: “Arrependam-se! Preparem seus caminhos que o homem que Deus havia prometido enviar para vocês (o Messias) está chegando!” Com certeza você e eu não achariamos isso normal. Mas o agir de Deus é realmente curioso. Ele toca corações de maneiras inesperadas. E é exatamente isso que acontece aqui. As pessoas começam a ir até João Batista para ouvi-lo e se batizar. A tal ponto que os próprios líderes religiosos ficam curiosos e mandam uma delegação para interrogá-lo.

A pergunta é direta: “Quem és tu?”

O que chama atenção aqui é o que João Batista não diz. Ele é famoso. Multidões vão até ele. Ele poderia facilmente ter dito “Sou um grande profeta” — e estaria correto. Mas ele faz o oposto: se diminui. “Não sou o Cristo. Não sou Elias. Não sou o profeta.” Três negativas em sequência. É como se ele estivesse limpando o palco para a estrela real aparecer.

E aí vem a frase que revela o tamanho da distância: “Eu não sou digno de desatar a correia das sandálias dele.” Na cultura judaica, essa era uma tarefa tão humilde que nem um escravo judeu era obrigado a fazê-la — era trabalho de escravo não-judeu (gentio).

João Batista está dizendo: “Eu não sou ninguém. Este que eu estou anunciando é quem merece todos os holofotes, perguntem sobre Ele, não perguntem sobre mim!”

No dia seguinte, Jesus aparece. E João Batista o apresenta ao mundo com uma das declarações mais carregadas de significado de toda a Bíblia: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.”

Para ouvidos do século 21, “cordeiro” soa poético. Para um judeu do primeiro século, essa palavra era um soco no estômago. Todo judeu sabia o que acontecia com o cordeiro: ele era sacrificado. Todo ano, na Páscoa, o cordeiro era morto para que o povo fosse poupado — lembrando a noite em que os primogênitos do Egito morreram e os de Israel foram salvos pelo sangue do cordeiro na porta.

João Batista está dizendo: “Viram aquele cordeiro que vocês matam todo ano? Pois este é o definitivo. Este é o último. O pecado do mundo inteiro está sobre ele.”

Essa é uma frase que muda tudo. Jesus não veio apenas ensinar ou curar. Ele veio carregar algo. E esse algo era o peso que nenhum ser humano conseguiria suportar sozinho.

Agora vamos parar por um instante e pensar no que está acontecendo. O criador do céu e da terra estava prestes a se revelar e começar o seu ministério, e o homem que Deus escolheu para anunciar a sua chegada era um homem pobre, sem prestígio social, que se vestia com roupas de camelo e comia gafanhotos e mel.

Não bastasse este mestre de cerimônias, digamos, excêntrico, seu discurso ao ver a atração principal foi simplesmente: Vejam só, aí está Aquele que irá morrer!

Isto lhe parece com o Jesus popular que normalmente vemos por aí? Óbvio que não. A Bíblia não esconde isso, mas é preciso ler o texto montando o quebra cabeça para entender a mensagem completa.

Deus estava mandando um recado. Seu mestre de cerimônias, João Batista, era excêntrico por um motivo: afastar aqueles que se importavam mais com a aparência do que com a mensagem. A mensagem “Ele precisa morrer” confronta profundamente nossa noção de realidade. Se o Deus criador do céu e da terra precisa morrer, então espere: algo está MUITO errado aqui!

Nos próximos dias, vamos explorar o que está errado com a humanidade, e porque Deus precisou ele mesmo, resolver o problema, oferecendo sua vida em sacrifício para resgatar a humanidade de sua perdição.

Perceba como Deus fala nas linhas, mas GRITA nas entrelinhas…(vamos nos aprofundar mais sobre isso nos próximos dias.)

Os Primeiros Discípulos (1:35–51)

A cena final do capítulo é linda na sua simplicidade. Dois discípulos de João Batista ouvem o mestre apontar para Jesus e… simplesmente vão atrás dele. Jesus se vira e faz uma pergunta que ecoa até hoje: “Que buscais?”

Não é “o que vocês querem?” — é mais profundo. É “o que vocês estão procurando na vida?” Os dois gagejam e perguntam onde ele mora. Jesus responde com duas palavras que são um convite eterno: “Vinde e vereis.”

A partir daí, a coisa se espalha como fogo. André encontra Pedro. Filipe é chamado. Filipe encontra Natanael. Cada encontro gera outro encontro. É como uma corrente — e cada elo é alguém que se encontrou com Jesus e não conseguiu guardar a notícia só pra si.

E repare no diálogo com Natanael. Ele é cético: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” — basicamente o equivalente antigo de “Ai, ai ai…esse cara é de interior.” Filipe não discute no argumento. Não tenta convencer com teologia. Ele diz a única coisa que funciona: “Vem e vê.”

De fato, é impossível explicar Jesus em palavras. É preciso estar com Ele.

Devocional

Versículos-chave do dia:
- João 1:1 — ”No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”
- João 1:12 — ”Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus.”
- João 1:14 — ”E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade.”

Se existe um capítulo que resume quem é Jesus, é este. E a pergunta que ele faz aos dois primeiros discípulos continua ecoando através dos séculos até chegar em você, hoje: “Que buscais?”

O que você está buscando, de verdade? Talvez você tenha começado essa Jornada por curiosidade. Talvez por solidão. Talvez alguém te indicou e você nem sabe muito bem por quê. Não importa o motivo — o fato é que você está aqui. E Jesus faz a mesma pergunta a você que fez àqueles dois homens na beira do rio: “O que você está procurando?”

A resposta que ele deu permanece: “Vinde e vereis.” Não é um argumento. Não é uma exigência. É um convite. Jesus não pede que você entenda tudo antes de se aproximar. Ele pede que você venha primeiro — e veja com seus próprios olhos.

Não se preocupe se você não tem todas as respostas. Ninguém tem. O próprio Jesus disse: “Vinde e vereis”. Ele não exige que você entenda tudo antes de se aproximar. Ele apenas convida você a vir e ver por si mesmo. Mas eu devo acrescentar: venha com o coração aberto.

Lembre-se que ele veio decidido a morrer por mim e por você. Será que a pessoa que mais te ama na vida faria isso por você?

Que tal tirar um momento agora pra falar com Deus? Por favor, corra de palavras bonitas ou fórmulas!

Seja simples e verdadeiro, como um simples “Deus, eu estou aqui. Não sei bem o que estou buscando, mas estou disposto a ver.” É só isso. Ele ouve.

Guarde estas palavras em seu coração! Amanhã continuamos em João 2 e 3, e eu te adianto: um casamento, um milagre com vinho, e uma conversa noturna que vai virar sua cabeça de ponta-cabeça. Você não vai querer perder!

Esse era o capítulo um.

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